Controle do colesterol na infância: o alerta de prevenção, os exames e a alimentação
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A celebração do Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, em 8 de agosto, impõe à comunidade médica e às famílias a necessidade de redirecionar o olhar para a saúde cardiovascular do público infantojuvenil. Historicamente associada ao envelhecimento, a dislipidemia — caracterizada pela elevação anômala das frações lipídicas (LDL e triglicérides) no sangue — tem registrado uma prevalência alarmante entre crianças e adolescentes. O desenvolvimento de estrias de gordura no endotélio vascular (fase inicial da aterosclerose) pode iniciar-se na primeira década de vida, tornando o rastreio preventivo e a reeducação alimentar intervenções vitais na pediatria.
Na linha de frente assistencial, o diagnóstico precoce é o mecanismo mais seguro para interceptar a evolução de patologias cardiovasculares. O protocolo de triagem recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece que todas as crianças devem ser submetidas a um exame de perfil lipídico universal entre os 9 e 11 anos de idade. No entanto, quando há um histórico genético de Hipercolesterolemia Familiar (HF), ou a presença de obesidade, hipertensão e histórico de parentes de primeiro grau com infarto precoce, o rastreamento laboratorial deve ser antecipado e realizado já a partir dos 2 anos de idade.
Para os pais e cuidadores, o manejo dessas taxas depende fundamentalmente da higienização do ambiente alimentar domiciliar. O excesso de colesterol LDL na infância está intrinsecamente ligado ao consumo abusivo de produtos ultraprocessados ricos em gorduras trans, gorduras saturadas e açúcares refinados, frequentemente presentes em achocolatados, biscoitos recheados, embutidos e refrigerantes. O papel das equipes de enfermagem e nutrição na atenção primária é orientar as famílias a substituírem esses produtos por uma base alimentar composta por grãos integrais, hortaliças e fontes de gorduras insaturadas (como azeite e abacate).
A adoção de fibras alimentares na rotina da criança atua como uma barreira mecânica no intestino, dificultando a absorção do colesterol nocivo e regulando o perfil metabólico.
Além do ajuste dietético, o combate ao sedentarismo é mandatório. O engajamento em atividades físicas aeróbicas atua na via oposta do risco, estimulando a síntese de HDL (o colesterol protetor) e otimizando a sensibilidade celular à insulina. Ao aliar a vigilância laboratorial à conscientização nutricional nos lares e escolas, os profissionais de saúde asseguram o direito fundamental ao desenvolvimento pleno, garantindo que as crianças de hoje não se tornem dependentes de terapias cardiológicas invasivas no amanhã.
Fontes: Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Diretrizes Brasileiras de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).




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