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Como evitar queimaduras em crianças nas festas juninas e na Copa do Mundo

  • há 11 horas
  • 2 min de leitura
Pessoa em primeiro plano sorrindo enquanto segura uma vela de aniversário com a chama acesa, com luzes desfocadas ao fundo e foco no momento festivo
Fogueiras, fogos e biribas exigem supervisão total dos pais para evitar acidentes graves e queimaduras no período festivo. Foto: Freepik

A sobreposição de grandes eventos festivos nacionais — como as tradicionais celebrações juninas de meio de ano e a mobilização em torno da Copa do Mundo de Futebol — altera significativamente o fluxo de atendimento em prontos-socorros pediátricos e unidades de tratamento de queimados. A introdução de agentes térmicos e explosivos no ambiente familiar expõe crianças e adolescentes a riscos graves de traumas biológicos irreversíveis. Para médicos e profissionais de enfermagem, este período exige um esforço redobrado de educação em saúde para capacitar os cuidadores e evitar queimaduras de alta gravidade.


Do ponto de vista anatômico e fisiológico, as queimaduras no público infantil apresentam maior gravidade do que nos adultos. A espessura da derme e da epiderme na infância é substancialmente menor, fazendo com que o calor se dissipe mais profundamente nos tecidos em um tempo menor de exposição, evoluindo rapidamente de lesões superficiais para feridas de segundo e terceiro graus. Além disso, a perda de fluidos corpóreos decorrente da quebra da barreira cutânea em grandes queimados pediátricos precipita desidratação aguda de difícil manejo hemodinâmico, exigindo internações prolongadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).


Os maiores causadores de internações cirúrgicas nessa época do ano residem em elementos culturais de fácil acesso. As fogueiras, por exemplo, representam riscos mecânicos e térmicos continuados. As brasas remanescentes e as cinzas acumuladas no solo retêm calor térmico extremo por várias horas após o término do evento, sendo um gatilho frequente para acidentes graves quando crianças pisam ou caem sobre o local. Os fogos de artifício, por sua vez, causam não apenas queimaduras diretas, mas também traumas acústicos e amputações de membros decorrentes de explosões prematuras.


A aparente inocência de artefatos de menor potencial explosivo, como os estalinhos e biribas, oculta o risco real de lesões oculares crônicas e queimaduras se friccionados em bolsos.

A responsabilidade parental no monitoramento do ambiente domiciliar e comunitário é um dever legal e protetivo intransferível. Os pais devem ser instruídos a coibir o uso de álcool líquido na acendibilidade de fogueiras ou churrasqueiras, priorizando acendedores sólidos específicos regulamentados pelo Inmetro. Além disso, a manipulação de qualquer substância inflamável ou explosiva deve ser vedada aos menores. Mesmo o uso das biribas exige supervisão contínua para evitar o contato com as mucosas oculares ou a ingestão acidental por lactentes.


Em casos de intercorrências, a equipe assistencial deve esclarecer às famílias os protocolos de primeiros socorros adequados para mitigar a progressão da necrose tecidual. A área queimada deve ser imediatamente submetida ao resfriamento térmico exclusivo com água corrente, limpa e em temperatura ambiente. Práticas folclóricas — como a aplicação de manteiga, pasta de dente, pó de café ou clara de ovo — devem ser fortemente combatidas pelos profissionais, pois esses produtos contaminam o leito da ferida, dificultando a avaliação cirúrgica e elevando o risco de infecções bacterianas graves. O encaminhamento imediato ao serviço médico especializado garante a preservação da saúde e a rápida reabilitação do jovem paciente.


Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Associação Nacional de Apoio ao Queimado / Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ).


 
 
 

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