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Surto de sarampo no Brasil: riscos, complicações e a urgência da vacinação

14 de set.
2 min de leitura
Profissional de saúde com luvas azuis prepara uma seringa e aplica uma vacina em uma criança, em ambiente clínico, com pessoas ao fundo usando máscaras.
O sarampo é uma doença grave e altamente contagiosa. A vacinação em dia é a única forma de proteção. Foto: Freepik

A reemergência do sarampo no cenário epidemiológico nacional constitui um dos desafios mais críticos enfrentados pela saúde pública e pela vigilância sanitária nos últimos anos. Após ter recebido a certificação de erradicação da doença pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em 2016, o Brasil registrou o retorno da circulação endêmica do vírus devido à queda progressiva das coberturas vacinais. O surgimento e a expansão do surto de sarampo no Brasil acenderam o alerta entre autoridades sanitárias, médicos pediatras e infectologistas de todo o país.


O Paramyxovirus, agente etiológico do sarampo, possui uma taxa de transmissibilidade (R0) extremamente elevada. A contaminação ocorre por via aérea através de aerossóis expelidos durante a fala, espirros ou tosse, permanecendo o vírus suspenso no ar em ambientes fechados por até duas horas. Quando a cobertura vacinal populacional cai abaixo do patamar ideal de 95%, quebra-se a imunidade de rebanho (proteção coletiva), deixando lactentes ainda não vacinados, imunodeprimidos e indivíduos não imunizados expostos ao contágio.


Fisiopatologicamente, a doença inicia-se com febre alta, prostração, coriza, tosse e conjuntivite fotofóbica, evoluindo para o aparecimento do enantema característico (Sinal de Koplik na mucosa bucal) e as manchas maculopapulares eritematosas na pele. Contudo, a gravidade do sarampo reside na sua capacidade de provocar imunossupressão transitória, abrindo margem para complicações sistêmicas graves:

  • Complicações Infantojuvenis: A pneumonia bacteriana secundária é a principal causa de óbito associada ao sarampo em crianças pequenas. Além disso, a infecção pode evoluir para otite média aguda, diarreia grave com desidratação e encefalite aguda. Uma complicação tardia e fatal é a Panencefalite Esclerosante Subaguda (PEES), que surge anos após a infecção primária.

  • Complicações em Adultos e Gestantes: Em adultos, o quadro clínico costuma ser mais prostrante, com risco elevado de pneumonia, hepatite e disfunções respiratórias. Em gestantes, a infecção pode provocar abortamento, parto prematuro e baixo peso ao nascer.


A vacinação é a medida imunológica mais segura e eficaz para conter o avanço do sarampo e impedir novas perdas de vidas.

O esquema vacinal recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) prevê a administração da vacina Tríplice Viral (SCR) aos 12 meses de vida, seguida pelo reforço com a Tetraviral (SCRV) ou Tríplice Viral aos 15 meses. Adultos até 59 anos também devem comprovar o esquema vacinal atualizado conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.


A garantia do acesso universal às vacinas e a manutenção de coberturas vacinais elevadas alinham-se às diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ao direito fundamental à saúde. Cabe aos profissionais de saúde investigar ativamente a caderneta de vacinação em todas as consultas de rotina, conscientizando as famílias de que a imunização é um dever ético, sanitário e legal para a proteção de toda a comunidade.


Fontes: Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).


 
 
 

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