Retirada de amígdalas em crianças: os motivos do aumento e a análise de riscos e benefícios
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O direcionamento terapêutico para intervenções cirúrgicas na infância exige um balanço criterioso entre os riscos do procedimento e os benefícios a longo prazo para o desenvolvimento do paciente. Nos últimos meses, o volume de procedimentos para a retirada de amígdalas em crianças apresentou uma elevação quantitativa considerável nos hospitais brasileiros quando comparado aos indicadores consolidados de 2025. Essa flutuação estatística reflete mudanças no perfil de adoecimento respiratório infantojuvenil e uma postura diagnóstica mais ativa por parte de médicos pediatras e otorrinolaringologistas.
A maior incidência dessa intervenção cirúrgica — tecnicamente denominada amigdalectomia, frequentemente associada à adenoidectomia — está delimitada na faixa etária que compreende a primeira infância e o início da idade escolar, registrando uma média de idade entre 3 e 7 anos. A justificativa para o crescimento dessas operações baseia-se na recorrência de infecções bacterianas agudas e, predominantemente, no aumento de diagnósticos de distúrbios respiratórios obstrutivos do sono. A hipertrofia (crescimento excessivo) do tecido linfoide na garganta bloqueia a passagem do ar, comprometendo a oxigenação noturna de milhares de crianças.
As causas que levam à necessidade da cirurgia estruturam-se em dois pilares principais: as infecções de repetição (quando o paciente apresenta sete ou mais episódios de amigdalite bacteriana bacterologicamente comprovados em um ano) e as complicações obstrutivas mecânicas. Crianças com amígdalas gigantes sofrem de apneia obstrutiva do sono, o que fragmenta a arquitetura do descanso, interfere na liberação do hormônio do crescimento (GH) e resulta em deficit de atenção, hiperatividade secundária e alterações no desenvolvimento da arcada dentária e da face (fácies respirador bucal).
A decisão pela intervenção cirúrgica deve abandonar o antigo conceito de banalização e basear-se em prejuízos funcionais, documentados pelo exame clínico e pela polissonografia.
Para os profissionais de medicina e enfermagem, a discussão com os responsáveis deve expor com clareza os prós e contras da retirada de amígdalas.
Benefícios (Prós):
Restabelecimento do Sono: Eliminação imediata dos episódios de apneia e roncos, promovendo um sono reparador.
Desenvolvimento Cognitivo: Melhora no foco, no rendimento escolar e redução da agitação psicomotora diurna.
Redução Farmacológica: Quebra do ciclo de uso repetitivo de antibióticos de amplo espectro e anti-inflamatórios.
Riscos e Desvantagens (Contras):
Efeitos Pós-Operatórios: Risco de hemorragia cirúrgica secundária devido à queda da fibrina (crosta de cicatrização) entre o 5º e o 10º dia pós-cirúrgico.
Manejo da Dor: Período de recuperação doloroso, que dificulta a ingestão de alimentos e líquidos, exigindo vigilância contra a desidratação.
Procedimento Anestésico: Riscos inerentes ao uso de anestesia geral em vias aéreas compartilhadas.
A equipe de enfermagem exerce um papel insubstituível no manejo pós-operatório hospitalar e domiciliar, instruindo os pais sobre a administração rigorosa de analgésicos nos horários prescritos e a oferta de dieta estritamente fria, pastosa ou líquida nos primeiros dias. Ao alinhar a precisão da indicação médica com o suporte educacional às famílias, o setor de saúde minimiza intercorrências e assegura o pleno reestabelecimento físico e o bem-estar da população pediátrica.
Fontes: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).




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