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Julho Branco: a vulnerabilidade do neurodesenvolvimento e as diretrizes da SPSP no combate à dependência

  • há 1 hora
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Mulher segurando uma pistola de ar comprimido manual para estética, usando equipamento de aplicação na pele, com foco nas mãos e no dispositivo de metal
Campanha permanente da SPSP, Julho Branco, alerta para os perigos do álcool, tabaco aquecido e vapes no neurodesenvolvimento de jovens.

Anualmente, a campanha Julho Branco, promovida pela Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), mobiliza a comunidade médica e assistencial ao redor de um tema complexo: a prevenção ao uso de álcool, tabaco e substâncias ilícitas na infância e adolescência. Tendo como lema "Com consciência, sem drogas", a iniciativa ganha contornos ainda mais críticos diante das profundas transformações mercadológicas do mercado de entorpecentes, que passou a mirar o público jovem por meio de dispositivos tecnológicos e novas apresentações químicas.


Do ponto de vista neurológico, o início do consumo de substâncias psicoativas antes da completa maturação do sistema nervoso central representa um risco biológico permanente. Estudos em neurociência demonstram que as estruturas cerebrais responsáveis pelo controle de impulsos e tomada de decisões (o córtex pré-frontal) completam seu desenvolvimento apenas por volta dos 25 anos de idade. A introdução precoce de toxinas altera os circuitos de recompensa, potencializando quadros de ansiedade, depressão, déficit de memória crônico e elevando as chances de adicção na vida adulta.


Atualmente, o maior desafio epidemiológico enfrentado por pediatras e enfermeiros nos prontos-socorros é o crescimento exponencial do uso de cigarros eletrônicos, os chamados vapes, além do avanço das drogas sintéticas da família K (como K2, K4 e K9). Disfarçados com aromas atrativos e embalagens modernas, os dispositivos eletrônicos entregam concentrações de nicotina consideravelmente maiores do que o cigarro convencional, desencadeando dependência química severa em tempo recorde e provocando lesões pulmonares agudas.


A abordagem preventiva contra o uso de drogas deve ser integrada à rotina clínica do pediatra de forma obrigatória, iniciando-se os diálogos de conscientização ainda na infância.

Para mitigar essa realidade, o Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP defende a implementação da chamada "Intervenção Breve" nos serviços de saúde. Trata-se de um protocolo de triagem rápida realizado por médicos e profissionais de enfermagem durante as consultas ambulatoriais, voltado a identificar precocemente sinais de vulnerabilidade, uso recreativo ou histórico familiar de dependência, direcionando pais e educadores sobre como estabelecer redes de apoio sem viés puramente punitivo.


O suporte jurídico e regulatório também caminha lado a lado com as diretrizes de saúde do Julho Branco. A fiscalização da venda de bebidas alcoólicas e de cigarros eletrônicos (cuja comercialização é proibida no Brasil) necessita do respaldo de relatórios clínicos robustos emitidos pelas sociedades de especialidade. Ao capitanear essa discussão, a pediatria paulista cumpre sua missão institucional de proteger integralmente os direitos constitucionais da criança e do adolescente, salvaguardando o bem-estar das próximas gerações.


Fontes: Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP.


 
 
 

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