Educação infantil e aprendizagem: os impactos da base no aprendizado de matemática
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A passagem do Dia Nacional da Educação Infantil, celebrado em 25 de agosto em homenagem ao nascimento da médica Dra. Zilda Arns, exige da sociedade civil e dos profissionais da saúde uma reflexão estrutural que supere o caráter festivo da data. Os indicadores educacionais do país revelam um cenário preocupante: uma parcela expressiva de jovens conclui o ensino médio apresentando déficits severos de alfabetização matemática e incapacidade de realizar operações aritméticas fundamentais. Do ponto de vista da pediatria e das neurociências, esse gargalo no aprendizado do jovem encontra suas raízes na escassez de estímulos adequados de educação infantil e aprendizagem durante os seis primeiros anos de vida.
Durante a primeira infância, a neuroplasticidade atinge seu ponto ápice, formando a arquitetura de circuitos neurais que fundamentam as funções executivas, como a memória de trabalho, a flexibilidade cognitiva e o raciocínio lógico-abstrato. Conceitos matemáticos avançados não surgem de forma isolada na adolescência; eles dependem da consolidação de noções pré-numéricas trabalhadas na educação infantil, como a seriação, a classificação, a percepção espacial e a contagem concreta através de interações lúdicas. A ausência de creches e préescolas estruturadas priva o cérebro infantil dessas experiências sensoriais críticas, gerando lacunas cognitivas cumulativas ao longo da vida escolar.
Paralelamente às deficiências pedagógicas do sistema educacional, a rotina de puericultura desempenha papel estratégico na identificação precoce de transtornos neurodesenvolvimentais que impactam a aprendizagem, como a discalculia do desenvolvimento, o Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e deficiências sensoriais não diagnosticadas (visuais e auditivas). Médicos e enfermeiros na atenção primária devem investigar o desempenho cognitivo e a interação social da criança, orientando os pais a buscarem intervenções multidisciplinares antes do agravamento do quadro de insucesso acadêmico.
A garantia de uma educação infantil de qualidade é uma medida de saúde preventiva e de justiça social que protege a arquitetura cerebral e o futuro do menor.
As diretrizes clínicas e jurídicas para o fortalecimento da primeira infância incluem:
Integração entre Saúde e Educação: Fortalecer a articulação entre equipes de saúde da família e creches municipais para o rastreio precoce de atrasos do desenvolvimento.
Estímulo sem Telas: Orientar cuidadores a substituírem o uso passivo de telas por brincadeiras tridimensionais (blocos de montagem, jogos de tabuleiro e atividades ao ar livre), que estimulam diretamente o córtex parietal e pré-frontal.
Garantia de Direitos no Marco Legal: Exigir o cumprimento do Marco Legal da Primeira Infância e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assegurando vagas em creches públicas com padrão de qualidade e infraestrutura adequadas.
A superação dos alarmantes índices de analfabetismo funcional e matemático no Brasil depende do investimento contínuo e prioritário nos primeiros anos de vida. Ao associar a excelência do diagnóstico pediátrico à aplicação rigorosa das normas de proteção à infância, o setor de saúde contribui decisivamente para que toda criança desenvolva seu pleno potencial intelectual, garantindo sua cidadania e autonomia na vida adulta.
Fontes: Ministério da Educação (MEC - Sistema de Avaliação da Educação Básica/Saeb), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016).




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