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A Fada e o Noel


Papai Noel convidou a Fada Madrinha, em um Natal, para ajudá-lo a realizar os desejos das pessoas, mas ela impôs uma condição:


– Tudo bem, Noel, tenho o maior prazer em ajudá-lo, mas estabeleço uma condição: não aceitarei pedidos de: mais dinheiro, vida longa, superficialidades como autógrafo do artista tal, publicação de foto na revista ‘Caras’ ou vaidades como roupa de grife, carro do ano, silicone acolá, etc, etc.


Noel, um pouco constrangido, quis entender melhor as razões da Fada. Perguntou, então:

– Você me deixou curioso com essas exigências, posso saber por quê?

– Claro que sim, Noel! É que nós, fadas, estamos um tanto decepcionadas com esta nossa atividade. Afinal, já desde o tempo do Homem de Neandertal que nós rodamos por este mundo afora tentando satisfazer os desejos do coração dos homens. Percebemos que, na grande maioria das vezes, o pedido atendido não acrescentou mais felicidade às suas vidas. Novamente, eles nos chamavam e queriam que satisfizéssemos mais outro pedido. Essa situação era tão comum que não havia fadas suficientes para conceder os pedidos da humanidade. O desejo é, por natureza, algo incompleto e desejo satisfeito é uma contradição por si mesmo e uma ilusão. Foi então que nos foi determinado que atendêssemos apenas um pedido por pessoa, durante toda a vida dela.

E Papai Noel retruca:

– Essa era a regra do jogo até agora, por que mudou?

– É verdade. No entanto, como os homens, mesmo tendo o pedido atendido, continuavam insatisfeitos e infelizes, nosso chefe estabeleceu mais essa mudança: restringiu o universo dos pedidos, excluindo aqueles que eu citei.

– Fada, desculpe a minha insistência, mas o que é que há de errado com viver mais, desfrutar de viagens, comidas, sentir-se atraente, ter autoestima elevada, enfim, aqueles prazeres todos que o dinheiro pode comprar?

– O problema, Noel, não está no pedido em si, mas na expectativa que se coloca em cima dele: as pessoas desejam ganhar felicidade e querem que a compremos em alguma loja, mas esse tipo de bem não está à venda.

– Onde a encontramos?

– Noel, cada pessoa tem que encontrar esta resposta por si mesma. Uma coisa eu já aprendi, por experiência na profissão – quando as pessoas aprendem a pedir bem, encontram alegria na vida, que dura, permanece. Sabe de uma coisa, desconfio que o caminho que leva à felicidade envolve o jeito de viver….

– Você está dizendo então que a felicidade não depende de momentos felizes e sim que pode ser um estado permanente?

– É isso, a felicidade depende do jeito que se caminha pela vida, não é um ponto de chegada.

– Mas Fada, essa exigência não é um tanto exagerada: afinal, a angústia da humanidade tem sido essa, encontrar um bom motivo para viver….

– Eu sei, Noel, mas nas minhas observações tenho visto que há pessoas que encontraram um caminho e nelas posso reconhecer alguns traços em comum: são gratas pela vida, sabem repartir o que possuem e tudo o que fazem é impregnado de entusiasmo.


Boas Festas e que todos nós procuremos seguir a mensagem acima!

___ Relator: Fernando Manuel Freitas de Oliveira Pediatra, Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP. Membro da Comissão de Ensino e Pesquisa da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Texto extraído do livro: Sombra e Claridade. Enfrentando o desafio de viver. Fernando MF Oliveira. Editora Abba Press, São Paulo, 2013.


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