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Doação de leite materno: a importância clínica e a realidade dos bancos de leite

  • 29 de mai.
  • 2 min de leitura
Bebê deitado em um berço com uma pulseira rosa de identificação no tornozelo, em ambiente interno, sugerindo monitoramento e cuidado infantil.
Bancos de leite humano necessitam de doações constantes para garantir o suprimento de recém-nascidos em UTIs. Foto: Freepik

A nutrição enteral de recém-nascidos prematuros extremo e de extremo baixo peso internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal é uma prioridade clínica absoluta. Nesse cenário de alta complexidade, a doação de leite materno consolida-se como uma terapia médica indispensável, atuando diretamente no fortalecimento do sistema imunológico, na maturação do trato gastrointestinal e na prevenção de patologias graves, como a enterocolite necrotizante. No entanto, a manutenção desse insumo vital depende de uma rede que opera constantemente no limite de sua capacidade.


O Brasil possui a maior e mais complexa Rede de Bancos de Leite Humano (rBLH) do mundo, coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Apesar dessa estrutura de referência, o principal obstáculo enfrentado pelo sistema é a instabilidade dos estoques. Dados técnicos apontam que os bancos de leite operam rotineiramente com volumes abaixo do patamar de segurança. Essa escassez exige um esforço contínuo de conscientização por parte das equipes de saúde, já que o leite coletado passa por rigorosos processos de seleção, classificação e pasteurização antes de ser distribuído.


O desabastecimento afeta diretamente o planejamento terapêutico neonatal. Quando os estoques estão baixos, os serviços de neonatologia precisam priorizar os casos de maior gravidade ou recorrer a fórmulas infantis especiais que, embora tecnologicamente avançadas, não possuem os mesmos fatores de proteção imunológica, anticorpos e oligossacarídeos presentes no leite humano pasteurizado. Daí decorre a urgência de captação ativa de novas doadoras nos ambulatórios e maternidades.


Cada frasco de leite materno processado representa uma redução expressiva no tempo de internação hospitalar e um ganho imensurável no prognóstico do prematuro.

A atuação de médicos pediatras, obstetras e profissionais de enfermagem é o elo fundamental entre as potenciais doadoras e a rede pública de saúde. Durante as consultas de acompanhamento pós-parto, cabe à equipe assistencial desmistificar o processo de retirada do leite, explicando que a ordenha regular para doação não reduz a produção para o próprio filho — pelo contrário, estimula a lactogênese contínua através do esvaziamento mamário adequado.


Além disso, os enfermeiros desempenham papel primordial ao treinar as mães sobre as boas práticas de biossegurança: o uso de frascos de vidro com tampa plástica esterilizados, o uso de máscaras durante a ordenha e o armazenamento correto no congelador por até 15 dias. Ao integrar a recomendação da doação de leite materno à rotina de cuidados materno-infantis, a comunidade de saúde contribui diretamente para a sustentabilidade das políticas de aleitamento e para a proteção da vida neonatal no país.


Fontes: Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH/Fiocruz), Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).


 
 
 

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